Franchising cresce 7,6%, mas sente impacto do cenário econômico

Pesquisa de Desempenho do Franchising no 1º Tri de 2016 divulgada pela ABF indica crescimento nominal de 7,6% no faturamento das redes. Ticket médio e promoções para atrair consumidores são fatores que contribuíram para o resultado.

A ABF apurou um crescimento nominal de 7,6% na receita do setor no 1º trimestre deste ano comparado ao mesmo período de 2015. O faturamento de R$ 31,331 bilhões subiu para R$ 33,709 bilhões (confira no gráfico). Fatores como o aumento de custos, a retração do mercado consumidor e a escassez de crédito impactaram o setor, que rapidamente reagiu para preservar seu faturamento.

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“O franchising é um setor que aplica indicadores de desempenho e os acompanha constantemente, tomando medidas para preservar sua operação. E foi isso o que ocorreu no primeiro trimestre. Frente a um cenário dos mais desafiadores, as redes buscaram alternativas, das quais destacamos promoções, campanhas de incentivo, revisão de mix de produtos, renegociação com fornecedores, identificação de novos mercados e até o desenvolvimento de novos modelos de negócios”, afirma a presidente da ABF, Cristina Franco. Ainda segundo a presidente, o ticket médio do franchising se adequa melhor ao bolso do brasileiro, especialmente em um período de restrição orçamentária.

Já no acumulado de 12 meses, a receita do setor variou positivamente 7,9%. A variação em 12 meses é um indicativo da consistência do desempenho do setor frente a cenários adversos. “A natureza colaborativa do franchising, em que ambas as partes buscam conjuntamente o desenvolvimento do negócio, confere maior resiliência ao nosso sistema. Somos um dos últimos setores a entrar na crise e um dos primeiros a sair. A capacidade de inovação também é outro fator chave. Mesmo em nosso atual momento, novos negócios e novos empreendedores continuam a movimentar o setor”, observa Cristina Franco.

O setor registrou um índice de expansão de 2,9% em unidades de franquia em relação ao ano de 2015, totalizando 141.254 unidades. A variação do número de unidades no período representou um incremento de 2.911 novas operações de franchising no Brasil.

Ainda de acordo com o levantamento, 108 novas marcas ingressaram no franchising brasileiro neste primeiro trimestre do ano, elevando o total de 3.073 apurado no ano passado para 3.181 redes em março de 2016.

“Mesmo que de forma mais conservadora, notamos que as redes mantêm seus planos de expansão, buscando, inclusive, mercados menos explorados e pontos comerciais em melhores condições. Também notamos um crescente interesse por modelos mais compactos ou que demandam menor investimento inicial”, afirma Claudio Tieghi, diretor de inteligência de mercado da ABF. “Por outro lado, grandes marcas, nacionais e internacionais, continuam a adotar o franchising como um meio de expandir seus negócios de forma mais rápida, segura e com menor necessidade de capital próprio no Brasil”, completa.

Dentre os segmentos que apresentaram maior crescimento no primeiro trimestre de 2016 comparado a igual período do ano anterior, destacam-se: Acessórios Pessoais e Calçados(15%), Lavanderia, Limpeza e Conservação (15%), Serviços Automotivos (13%),Negócios, Serviços e Outros Varejos (12%) e Esporte, Saúde Beleza e Lazer (12%). O segmento de Acessórios Pessoais e Calçados foi favorecido pelo verão mais intenso e prolongado, a competitividade frente a produtos importados e pela exportação. JáLavanderia, Limpeza e Conservação destacou-se pela demanda induzida por promoções e campanhas e pela emenda constitucional que ampliou os direitos das empregadas domésticas no segundo semestre de 2015. A expansão do segmento de Serviços Automotivos, por sua vez, reflete a queda das vendas de veículos novos, fazendo com que os consumidores invistam na manutenção e consertos da frota de seminovos que registra aumento crescente desde 2014. O desempenho de Negócios, Serviços e Outros Varejos está ligado à demanda por serviços com um ticket médio mais baixo e produtos de conveniência. Por fim, em Esporte, Saúde Beleza e Lazer, o desempenho foi impulsionado por tendências consolidadas de consumo direcionadas à qualidade de vida e bem-estar. A diversificação de canais de venda também favoreceu esse segmento.

Multifranqueados
Para aprofundar a análise do mercado de franquias e oferecer aos seus associados estudos cada vez mais completos, que lhes auxiliem na tomada de decisão, a ABF traz dados inéditos nesta pesquisa, a exemplo de estudos anteriores. A novidade é a apuração do número de multifranqueados que a ABF traz a partir desta pesquisa. Conceitualmente, a Associação distinguiu os multifranqueados como aqueles que possuem duas ou mais unidades da mesma marca.

Entre as redes respondentes, 68% possuem multifranqueados. Segundo Claudio Tieghi, essa realidade já consolidada nos Estados Unidos e na Europa passou a ter mais expressão no Brasil, o que demonstra amadurecimento do setor e a confiança no modelo de negócios.

Para Erik Cavalheri, diretor de franqueados da ABF e multifranqueado, “o crescimento do número de multifranqueados representa um avanço do grau de profissionalismo dos empresários do franchising brasileiro e a tendência é que eles ocupem cada vez mais espaço no mercado”.

Localização das unidades e modalidades das operações
O levantamento da ABF aprofundou ainda mais a análise sobre os pontos comerciais. De acordo com as redes pesquisadas, 65% das unidades são lojas de rua, 17% estão localizadas em shopping centers, supermercados e home office representam 4% das unidades, 1% está nos terminais de transporte e 8% estão em outros pontos.
Quanto à modalidade de operação das unidades das redes, 85% são lojas, 6% quiosques, 1% adota o conceito store in store (loja dentro de outra loja) e 8% representam modalidades diversas. “Temos notado uma crescente diversificação dos pontos comerciais e das modalidades operacionais a fim de ampliar a ocupação territorial, atingir novos consumidores e se adaptar ao atual momento econômico. A partir de agora, passaremos a acompanhar estes indicadores ano a ano”, finaliza Tieghi.

Metodologia
Envolvendo o mercado como um todo, inclusive não associados, os números do desempenho do setor de franchising são apurados em pesquisa por amostragem, cruzados com levantamentos feitos por entidades representantes de setores correlatos ao sistema de franquias – tais como ABRASCE E SBVC – órgãos de governo como o IBGE e CNC, instituições parceiras como SEBRAE e instituições de ensino como ESPM e Fundação Dom Cabral. Auditados por empresa independente, os dados divulgados pela ABF são referência para órgãos governamentais de diversas esferas, entidades internacionais do franchising, como World Franchise Council (WFC), Federação Ibero-americana de Franquias (FIAF) e instituições financeiras.